A solução está no pasto

A recuperação de pastagens em áreas de declive pode ser a salvação da pecuária no Paraná

A recuperação de pastagens degradadas em áreas declivosas pode ser a salvação da pecuária de corte e leite que encolhe ano após ano no Norte do Paraná por conta do avanço das culturas de grãos. O tema tem sido tratado como prioridade pelo Sindicato Rural Patronal de Londrina (SRPL) que reuniu recentemente, em sua sede, pecuaristas de várias regiões para assistir à palestra do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Elir de Oliveira, que desenvolve um projeto experimental de recuperação de pastagens na região de Cascavel, Oeste do Estado. O projeto é desenvolvido em parceria com Iapar, Emater, Faep, UFPR e sindicatos rurais.
O objetivo do encontro, segundo o presidente do SRPL, Narciso Pissinati, é contribuir com o produtor rural para que ele recupere a fertilidade do solo, faça o manejo e adubação das pastagens e aumente sua produtividade nas áreas declivosas, melhorando a competitividade da pecuária. “O pecuarista precisa tratar o pasto como uma cultura que dá retorno e, para isto, o primeiro passo é investir em tecnologias nessas áreas fazendo correções e aplicações de insumos e sementes no solo”, afirma Narciso Pissinati, que está formando um grupo de produtores rurais em Londrina para dar início ao projeto na região. Segundo ele, o fato da maioria dos produtores não fazer a correção e adubação da área, está levando ao esgotamento da terra e baixa produtividade na pecuária.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Iapar, Elir de Oliveira, para o pecuarista melhorar suas pastagens em áreas declivosas, primeiramente é necessário um diagnóstico da área, fazer uma avaliação da fertilidade do solo e do estado das pastagens existentes e a partir daí propor uma intervenção tecnológica de recuperação e introdução de espécies de inverno (conforme a região), leguminosa fixadora de nitrogênio e mais uma espécie perene para conviver com a braquiária normalmente existente. “Tudo é planejamento baseado em diagnóstico e decisão que envolve custo”, informa o pesquisador.
Segundo ele, devido aos custos iniciais, é melhor começar com uma pequena área de 5 a 10 hectares para o pecuarista validar a tecnologia, pois cada região, cada propriedade, cada solo possui sua característica própria. Normalmente, mediante análise do solo é recomendado a calagem, gessagem e fosfatagem para corrigir e elevar os teores de cálcio, magnésio e fósforo.
Outra sugestão é começar a operação antes do inverno para correção do solo, utilizando a técnica de sobressemeadura de aveia (IAPAR 61), azevém e ervilhaca peluda. Depois, no início da primavera o pesquisador recomenda o capim Aruana em sobressemeadura. “O solo deve estar livre de erosão e a braquiária sempre será mantida no local. Sugiro também a aplicação anual de 250 quilos por hectare de nitrogênio dividido em 3 ou 4 vezes. Além da adubação é necessário realizar o manejo correto das forrageiras”, ensina.
O pesquisador afirma que com a recuperação correta de pastagens o Paraná poderá ter uma pecuária competitiva, triplicar a produção de carne e oferecer um produto de qualidade no mercado, além de que vai melhorar os índices zootécnicos como intervalos entre partos, peso de bezerro ao desmame e abate de animais jovens com 16-24 meses de idade.
Máquina é eficaz na
aplicação de insumos
Como o produtor pode fazer a aplicação de insumos nessas áreas de difícil acesso? Nos talhões de menor declividade (30% a 35%) é possível usar a aplicação dos insumos com esparramado de adubo comum acoplado direto no trator. Em áreas mais declivosas, o pesquisador do Iapar sugere o uso de uma máquina tipo caçamba que joga os insumos (adubos e sementes) a cerca de 40 metros de distância através de sistema de propulsão a ar. Este equipamento foi desenvolvido para recuperar o solo em plantações de bananeiras em Santa Catarina e está sendo usado em Cascavel. “O custo da máquina deve estar em torno de R$ 27 mil. Entretanto, os pecuaristas podem se cotizar e adquirir em conjunto. Os municípios também podem adquirir através de emendar parlamentar”, explica Elir Oliveira.
Áreas de pastagens
perdem espaço para soja
Dos 5 milhões de hectares de pastagens que o Paraná possui, 2 milhões estão degradadas, suportando uma lotação de menos de 1,0 Unidade Animal (UA), que corresponde a um animal por hectare, apresentando baixa produtividade animal com índices zootécnicos muito baixos. Essas áreas de pastagens, por falta de competitividade, vêm perdendo espaço para soja, florestamento, cana-de-açúcar e empurradas para as áreas mais declivosas, impróprias para a agricultura mecanizada. Por outro lado as áreas declivosas, notadamente aquelas que não sofreram processos erosivos intensos, apresentam boa fertilidade do solo, bom nível de matéria orgânica, mas com carência absoluta de fósforo. O fósforo é um elemento essencial à produção vegetal”, comenta o pesquisador.
Produtores já demonstram interesse em projeto
O produtor rural Vilson Moro, que tem uma área de 50 alqueires em declive no Patrimônio Selva, região Sul de Londrina, está disposto a recuperar alguns hectares de sua propriedade. “Cada região tem a sua particularidade, mas se está dando certo no Oeste do Estado, podemos tentar aqui também”, disse ele. “Hoje a pecuária ocupa somente as áreas em declive, por causa do avanço da soja no Estado. Segundo ele, um alqueire comporta apenas cinco cabeças de gado, mas com a recuperação da área é possível duplicar a capacidade.
O pecuarista Oliveira Machado de Oliveira, que tem propriedade em Faxinal, esteve presente à palestra e disse que também tem interesse em recuperar sua área. “É possível melhorar e nós vamos esperar o município realizar um dia de campo sobre o assunto para aderirmos”, comentou ele.

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